quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Campanha exige 10% do PIB para a educação


Estudantes, professores e técnicos-administrativos se mobilizam em defesa da educação pública e lançam campanha e plebiscito
Por Otávio Nagoya
Mais de 20 mil pessoas se reuniram em Brasília no dia 24 de agosto, em uma marcha em defesa da educação, saúde e reforma agrária. A manifestação foi iniciativa dos movimentos sociais, centrais sindicais, além de partidos e coletivos de esquerda. Na ocasião, foi lançada a campanha “10% do PIB na educação pública já!”, iniciada pelos movimentos de educação e amplamente apoiada pelos outros setores da marcha. A campanha exige do governo federal que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país seja destinado para a educação pública, sendo iniciado imediatamente.
“É muito importante que tenhamos uma campanha forte, temos que conseguir atingir o cerne da questão. Sem dinheiro, a educação não vai avançar. E não ter dinheiro é uma opção política tomada pelo governo, já que mais de 50% do PIB é destinado para pagar a dívida e apenas 5% para a educação”, analisa Rebecca Freitas, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante da Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Léia de Souza Oliveira, coordenadora geral da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) conta que a campanha conta com forte apoio dos movimentos sociais, e que “o debate está sendo travado pelos trabalhadores do ensino básico e também os trabalhadores do ensino superior privado”.
Para Júlio Anselmo, membro do DCE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da executiva nacional da Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (Anel), a campanha nasce da necessidade dos estudantes no dia a dia, como estruturas precárias e falta de equipamentos. “Além disso, existe um atraso histórico na educação brasileira. O descaso do governo fica ainda mais explícito, já que estamos vivendo um período de crescimento econômico, só que não vimos isso ser passado para as áreas sociais”, critica.
Reivindicação histórica
O investimento de 10% do PIB brasileiro em educação é uma pauta antiga do movimento de educação. Ainda no fim da década de 1990, os militantes promoviam o Congresso Nacional de Educação, que protagonizou importantes lutas durante os oito anos do Governo FHC. Foi por causa da pressão que o governo inclui no Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001, o repasse de 7% do PIB para a educação. Porém, FHC vetou esse dispositivo e manteve o investimento em torno dos 4%. Durante o governo Lula, o veto foi mantido, apesar de um pequeno aumento no investimento, que ficou em 5,3%, em 2007, segundo dados da Unesco.
“O Lula, em sua candidatura, prometeu remover o veto, mas nunca o fez e tive a oportunidade de perguntar para o Fernando Haddad [ministro da Educação]: Por que a promessa não foi cumprida? E ele respondeu de maneira clara que não dava para reverter o veto dos 7%, pois não conseguiríamos fazer superávit primário para pagar os banqueiros”, conta Chico Miraglia, professor da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN). “10% do PIB não é o ideal, é o mínimo para que a educação tenha um papel estratégico na transformação social do Brasil”, garante Léia de Souza Oliveira.
Para a estudante Rebecca Freitas, o antigo PNE, com validade entre 2001 a 2011, foi bastante falho: “Chegamos ao fim do PNE com apenas dois terços de sua meta cumprida, o que é uma obviedade. De que adianta colocar metas e não ter dinheiro? Isso vira um plano de intenções. O mesmo está se desenhando para o novo PNE”. A justificativa dada pelo Ministro da Educação é que o Brasil não tem dinheiro para ultrapassar o investimento de 7% do PIB proposto no novo PNE. “Desde quando dobrar o investimento em educação vai quebrar um país? Quando é para tirar dinheiro do orçamento do Estado para dar para os banqueiros, isso não quebra o país?”, questiona Júlio Anselmo.
Fonte: Caros Amigos

Já passou da hora de se pensar nos investimentos que fazemos na nossa educação. Enquanto não priorizarmos o desenvolvimento intelectual e reflexivo, o povo continuará sendo manipulado e esmagado pelo trator dos detentores do poder.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Geração Capitão Planeta


Image Detail



Como ficam as alunas da USP violentadas? Devem pedir ajuda para o fantasma de Foucault?


Você se lembra do desenho "Capitão Planeta"? Nele um grupo de jovens de várias etnias (brancos, negros, amarelos, vermelhos, enfim, todas as "cores do arco-íris") defendia o planeta.

Acho que "Capitão Planeta" deveria ser o patrono dos "novos jovens" que invadiram Wall Street , o Viaduto do Chá e a USP. Estes, então, são ridículos, se acham acima da lei e não querem polícia no campus. Como ficam as alunas violentadas? Devem pedir ajuda para o fantasma de Foucault?

Muito professor-cheerleader é culpado por isso quando fala de "jovens que lutam por um mundo melhor". Este "mundo melhor" é o que eles têm na cabeça e que implica sempre eliminar quem não concorda com eles (o movimento estudantil sempre foi extremamente autoritário).

E não existe "o jovem", jovens são múltiplos e muitos não concordam com os baderneiros que invadiram a Faculdade de Filosofia da USP. Quando você tem 12 anos, um desenho como esse "emociona". Depois dos 18 anos, se você ainda acredita "no mundo do Capitão Planeta", é porque não fez os passos naturais do amadurecimento mental.

A diferença entre eles e a última geração revolucionária de fato (Fidel Castro e Che Guevara) é que enquanto "los hermanos" de Cuba, enfrentaram inimigos à bala, essa moçadinha, que acha que "todas as diferenças podem conviver lado a lado" (até a primeira briga de ciúme entre dois caras pela menina mais gostosa do grupo, aliás, coisa rara nesse meio), ao primeiro tiro correria para casa para brincar com o seu iPad.

A mídia ideológica, cansada do marasmo desde maio de 1968 (aquela "revolução francesa" dos estudantes entediados que acabou numa noite gostosa de queijos e vinhos), abraçou esses "movimentos" como um novo "partido mundial dos jovens".

Engraçado como gente (os "jovens") que não paga suas contas (papai as paga ou alguma instituição) acha que pode "resolver" o mundo.

Para provar a piada, basta lembrar que Wall Street é um reduto do Partido Democrata americano, logo, do Obama, o "Messias avatar" dessa moçada, fato que a maioria desses "invasores" do templo capitalista não sabe.

Esta "invasão" de Wall Street foi uma modinha das grandes cidades da costa americana, assim como seus desfiles de moda, seus chefs de cozinha étnica e seu gosto por clássicos da literatura somali, sem os quais o mundo não seria a mesma coisa...

A "invasão" marca o descontentamento de desempregados e a irritação com os ganhos dos bancos nos últimos anos em meio à crise. No caso dos EUA, ninguém deu ouvidos a eles na "América profunda". A mídia tentou fazer deles representantes da América porque a maior parte da mídia é "Capitão Planeta".

Um objeto fetiche desses caras é a Primavera Árabe. Assim como o restante desses movimentos dos últimos meses, todos diferentes entre si, o árabe pode ter diferenças importantes internas ao próprio mundo árabe.

Peguemos a "secular" Tunísia como exemplo. Berço da "Primavera Árabe", conforme muitos previram, ela deu a primeira vitória das urnas a um partido islâmico (como queríamos demonstrar... Aliás, ao contrário do que a geração de intelectuais "Capitão Planeta" dizia sobre "não haver risco de os islamitas ganharem as eleições"). Islamita é o nome técnico para fundamentalismo islâmico político e/ou "militar".

Apesar de o partido em questão, Nahda, jurar que abandonará suas propostas fundamentalistas (ele era ilegal durante a ditadura "secular" da Tunísia justamente por ser fanático), veremos se suas juras serão verdadeiras.

Especialistas esperam que esses islamitas, quando chegarem ao poder, usem como modelo o partido islâmico moderado da Turquia. 

Na Turquia, índices como a presença de mulheres nos quadros funcionais do governo diminuíram significativamente nos anos em que o islamismo moderado turco tem estado no poder. Isso significa uma "islamização" da máquina administrativa. Islamitas tratam as mulheres como animais de estimação.

Ocidentais que não conhecem o Oriente Médio pensam que a maioria da população lá é do tipo "paz, amor e viva a diferença". Pura ignorância.

Luíz Felipe Pondé.

Fonte: Folha SP.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Esperando o Super-homem




O que acontece com a nossa educação?  "A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele". Hannah Arendt.
Vi esta frase e me peguei refletindo sobre seu sentido. Talvez estejamos amando somente a nós mesmos e esquecendo que fazemos parte de um universo muito maior que o limite do cartão de crédito ou o quanto podemos pagar na prestação de um carro.

Crash Test Dummies - Mmm Mmm Mmm Mmm

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O homem duplicado

Já faz algumas semanas que terminei de ler um livro ótimo.. O homem duplicado do José Saramago. Desde então estou querendo compartilhar com todos as minhas impressões do mesmo, mas fiquei protelando, por causa da tão estimada preguiça, e do trabalho, é claro. Entretanto hoje estou um pouco inspirada para tal.

Bem acho que posso começar dizendo o livro é MUITO BOM. Em geral o livro aborda a vida de um professor de história que descobre um ator idêntico a ele, partindo deste fato ele começa a entrar em algumas crises de identidade e na busca incansável por encontrar este ator. O auge (para mim) é quando estas duas personas se encontram, mudando completamente o rumo de suas vidas, onde um assume a identidade do outro e traz uma baita tragédia.

Acho que talvez eu tenha demorado tanto para escrever por causa, justamente, das impressões que tive dele. Apesar de ser uma ficção está totalmente vinculada com a realidade, visto que muitas pessoas assumem "outras identidades" além da sua.

Saramago trata neste livro de questões muito comum da vida cotidiana como valores, principios, coragem entre outros.

Enfim, acho que não estou tão inspirada, então fico por aqui... foda-se.