Mostrando postagens com marcador Emoções. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Emoções. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Filósofos questionam a supervalorização do amor romântico


Achei muito bacana esta matéria por questionar o amor novelesco, sempre abordei esta temática e era tirada por "mal amada" pelos colegas. Mas concordo plenamente, que este amor idealizado não é real. Criamos expectativas no companheiro (a) e só nos frustramos. É bom este tipo de matéria ser veiculada em grandes jornais, para colocar em pauta este debate e tentar, de certa forma, diminuir estes índices de doenças ocasionadas pelos nossos sentimentos/emoções.
Segue a matéria:

O amor está longe de ser a solução para o fim do sofrimento humano. Pelo menos aquele amor romântico de filmes e novelas.
Quem defende essa ideia é o filósofo Simon May, professor do King's College, em Londres, e autor de "Amor - Uma História", lançado aqui no fim do ano passado.
Para ele, o sentimento está supervalorizado: ocupou o espaço deixado pela religião e se tornou o novo deus do Ocidente.
"Somos todos fanáticos. Exigimos que nosso sentimento seja eterno e incondicional e camuflamos sua natureza condicional e efêmera. É a mais nova tentativa humana de roubar um poder divino", disse, em entrevista à Folha.

Lambe-lambe que pede "Mais amor, por favor", no viaduto Antártica, em São Paulo


De acordo com o filósofo, a religião do amor incondicional é reforçada pela cultura. Ele cita filmes em que um dos personagens não quer saber de namorar e só pensa na carreira. No final, ele sempre descobre que sem uma paixão sua vida não será completa.
Tanta pressão em cima de um sentimento frágil e humano, para o autor, termina em frustração coletiva. "Nada humano é verdadeiramente incondicional, eterno e completamente bom. Essa é uma forma de amor que só Deus pode ter. Esse entendimento gera expectativas altas, que relacionamentos cotidianos não são capazes de suprir."
O mesmo defende o filósofo alemão Richard David Precht, autor de "Amor - Um Sentimento Desordenado". "O papel de nos aceitar por inteiro, com todos os nossos defeitos e limitações, cabia a Deus. Hoje buscamos alguém que possa cumprir essa função e ainda dormir conosco. É realmente pedir demais", diz.
ROMANTISMO
No livro, Simon May traça um histórico das diferentes concepções de amor ao longo da história e atribui ao romantismo do século 19 a culpa pela supervalorização do sentimento.

Segundo ele, desde então, enquanto a sociedade mudou, a idealização do sentimento continua como no passado. Inovações como a liberação sexual, a pílula e a luta pelos direitos dos gays só possibilitaram que mais pessoas passassem a perseguir o amor ideal ao incluir homossexuais e divorciados no jogo.
A psicanalista Regina Navarro Lins também pesquisou a história do sentimento, mas chegou a uma conclusão diferente. "O amor romântico está com os dias contados. Domina filmes e novelas, mas está saindo de cena na vida real", afirma ela, que em 2012 publicou "O Livro do Amor", obra em dois volumes.
Para a psicanalista, o futuro aponta para o "poliamor" e para formas menos convencionais que o casamento. "As pessoas estão mais individualistas, buscam sua própria satisfação. Isso irrita os conservadores, mas aumenta as chances de cada um ser feliz", diz.
Navarro Lins, no entanto, concorda com Simon May ao considerar o amor romântico irreal. "Você conhece uma pessoa, atribui a ela características que ela não possui e passa a vida infernizando a criatura, querendo que ela seja como você imaginou", diz a psicanalista.
A troca de exigências gera um "rancor matrimonial", uma sensação de que o parceiro nos enganou ao não cumprir nossas expectativas.
Simon May não acredita que a solução seja dar menos importância ao sentimento, mas rever os conceitos. "Precisamos mudar nossas expectativas, não reduzi-las. É preciso abandonar a ideia de que amor implica em intimidade incondicional, benevolência e altruísmo. Para mim, amor é algo completamente condicional. Ele só existe enquanto a outra pessoa parece dar sentido à nossa existência."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1211142-filosofos-questionam-a-supervalorizacao-do-amor-romantico.shtml





quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Filme "A Onda"

Baseado em uma história real o filme "A Onda" mostra como é possível a criação de doutrinas ideológicas em sala de aula, não só no passado, mas atualmente.
O filme que foi adaptado do ensaio The Third Wave (A Terceira Onda), do professor de História Ron Jones, no qual relata sua experiência numa escola da Califórnia (EUA), em 1967, na tentativa de explicar na prática como Hitler e o Partido Nazista chegaram ao poder na Alemanha. 

Tudo acontece em uma semana de aula onde o professor e seus alunos criam o movimentoA Onda, tudo a partir de normas de conduta, espírito coletivo, disciplina e a busca de um bem maior.

O filme mostra a vida pessoal de alguns alunos, deixando claro que dependendo da familia e dos problemas que determinadas pessoas podem ter, são mais fáceis de serem manipuladas.
O filme conta com um final quase que trágico em uma partida de pólo aquático onde o professor, quase que tardiamente, percebe que precisa por um ponto final em tudo aquilo.

O Filme é bom e com certeza recomendado a todos em geral, pois fenômenos como massificação, fanatismo e intolerância são perigosos e quem sabe não estão aí positivos e operantes?


quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma vida-lazer

           


para quem não tem medo de lidar com a aridez da própria solidão, o filme "viajo porque preciso, volto porque te amo" pode ser uma experiência cinematográfica e tanto! e para quem, sim, tem medo de ficar consigo mesmo, o filme pode ser perturbador.

meio documantário, meio ficção, a película conta a história de uma geólogo que 'mergulha' por cerca 60 dias no sertão nordestino com o objetivo de mapear uma região que receberá a transposição de um rio e, principalmente, para fugir da beira do abismo, para fugir da dor que acarreta o fim de um grande amor.


a fuga, no entanto, cede lugar a um processo de profundo autoconhecimento, no qual o protagonista (que não aparece em nenhuma cena sequer) vai aprendendo a lidar com seus sentimentos - por mais contraditórios que eles pareçam.
loucura, saudade, medo, ódio, paixão - a gente passa a vida etiquetando o que sente. buscamos compreender, guardar cada sentimento no local mais apropriado, represar, ter controle. mas, no fundo, nenhuma dessas estratégias adianta muito...
.
à noite, antes de dormir, no escuro do quarto, em franco diálogo consigo mesmo, a gente bem sabe que as comportas do peito se abrem e já não é mais possível distinguir cada uma das milhares de sensações que nos inundam quando experimentamos um grande amor.
 
bueno, o fato é que a maneira como o protagonista narra suas experiências faz com que o espectador também viaje pelas suas vivências. mais do que isso, ele vai entrevistando gente pelo caminho. gente que vive nos rincões do brasil, gente que trabalha duro o dia inteiro, que também busca viver um grande amor, que já sofreu o pão que o diabo amassou e que sonha com coisas muito simples, como "uma vida-lazer" - conceito apresentado por uma das entrevistadas.
prostituta de profissão, a mulher diz que vai levando a vida assim enquanto não aparece nada melhor. no entanto, a mulher deixa claro que bom mesmo seria levar esta tal "vida-lazer" - algo como ter um companheiro com quem partilhar os dias, chegar em casa e encontrar-se com ele, amar, ver novela e sair aos domingos para passear com ele e os filhos. 
a trilha sonora é feita do que costumo chamar de "a fina flor da dor de cotovelo". um brega profundamente poético que vai se misturando com a incrível composição de imagens que vigora o tempo inteiro. 

filmado nos anos de 1999 e 2009, o longa é, também, um acervo histórico do sertão nordestino brasileiro neste período. dirigido por karim aïnouz (de madame satã e o céu de suely), e marcelo gomes (cinema, aspirinas e urubus), "viajo porque preciso, volto porque te amo" aperta, abre e espreme o coração da gente.