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quinta-feira, 26 de junho de 2014

À espera da geração de mulheres que não se importam com o que os homens querem

Texto de Michele Escoura.
A leitura do texto de Ruth Manus em seu blog do jornal O Estado de São Paulo na última quarta-feira (18/06) expôs as angústias de uma mulher em meio às transformações nos padrões de feminilidade das últimas gerações. A colunista em certa altura do texto relata como sua educação familiar priorizou suas conquistas nos campos públicos da sociedade, como educação e mercado de trabalho, em contrapartida aos papéis tradicionalmente vistos como femininos. Conta dos olhos de sua mãe que brilhavam mais com suas “notas 10” do que as receitas de bolos acertadas. E do orgulho dos pais com o curso na Sorbonne enquanto deixavam de lado o curso de corte e costura, a arte de preparar um arroz ou de rechear um lagarto. Ruth aprendeu a dirigir, aprendeu inglês, a gostar de esportes, construir um bom currículo e ganhar seu próprio dinheiro, assim como os meninos.
Pertencente a esta nova geração de mulheres “criadas para ganhar o mundo”, a colunista destaca o desafio: estaríamos criando um mundo de mulheres que chegam à vida adulta seguras de si, porém sozinhas. Segundo ela, os novos voos alçados pelas mulheres nos estariam deixando alheias àquilo que os homens, em contrapartida, teriam aprendido sobre o que é a mulher ideal para desejarem. Neste imbróglio de transformações sobre a feminilidade, Ruth se vê parte de uma “incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer”. Afinal, em seus próprios termos, “quem foi educado para nos querer?”.
O grande mérito de seu texto é evidenciar que, afinal, décadas de intenso debate feminista não foram em vão. Enfim as mulheres estão conquistando novos e inesperados espaços. E é justo que mudanças nos tragam dúvidas e incertezas. Mas o angustiado relato de Ruth, entretanto, poderia colocar uma outra questão: por que, mesmo com todo o frescor de liberdade que nos está sendo ensinado pelas últimas gerações, ainda nos ensinam que devemos tanto nos preocupar em estar acompanhadas? Por que ser desejada por algum homem é tão necessário, ou, ainda, por que casar é ainda tão importante para as mulheres?
Durante alguns anos realizei pesquisas com crianças pequenas sobre os contornos de feminidade e certa vez ouvi de uma garota de cinco anos que ser Princesa, para ela, “era ter um príncipe, porque se não casar não é princesa, é solteira”, ao mesmo tempo em que me contava que sua mãe sempre dizia que “tem que casar, porque não tem como ser feliz sozinha”. Parece que Ruth também aprendeu isso.
Nas últimas décadas tomamos as ruas com nossos carros, tomamos os cargos de chefias e tomamos nossas cervejas em mesas sujas de botecos, para o horror de muitas bisavós. Mas quando nós, mulheres, vamos tomar a coragem para mudar também o que entendemos por “felicidade”? Quando deixaremos de ensinar às nossas meninas que elas só serão felizes e completas quando encontrarem o homem de suas vidas? Sim, Ruth, quando deixaremos de nos preocupar em sermos as mulheres que os homens querem? Conquistamos os bancos escolares, o mercado de trabalho e os assentos de aviões para rodarmos o mundo. Mas quando conquistaremos a independência de nossos corpos e desejos? Quando conquistaremos a liberdade de sermos o que quisermos independente da expectativa dos outros sobre nós mesmas?
Foto de Spyros Papaspyropoulos no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Spyros Papaspyropoulos no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Não vamos aqui duvidar do valor das relações e da importância de termos parcerias em nossas vidas. Mas questionemos, Ruth, essa obrigação de sermos sempre a princesa de alguém. Nós podemos alçar sonhos muito maiores do que aqueles que nos foram ensinados e, Ruth, não aceite essa conexão entre as ideias de “estar solteira” e culpa. Deixaram de nos ensinar a diferença entre alvejante e água sanitária, mas continuam nos ensinando que não ter um homem para dormir sobre o peito é, necessariamente, estar em falta.
Cara Ruth, compadeço com suas palavras e me reconheço na máxima de que “não vamos andar para trás”. Mas nosso primeiro próximo passo, talvez, seja reconhecer que liberdade para as mulheres é muito mais que pagar nossas contas. Liberdade é, inclusive, emancipar-se daquela velha e já batida ideia de que uma mulher só se completa com o amor verdadeiro e de que o sonho de todas nós deve ser um dia se vestir de noiva. Deixa disso, Ruth. Sejamos mais do que a sociedade espera da gente e comecemos retirando o “ser tudo o que um homem NÃO quer” do título de seu texto e de nossas preocupações.
Autora
Michele Escoura é antropóloga, pesquisadora do NUMAS – Núcleo de estudos sobre os marcadores sociais da diferença da USP e assessora da ONG Ação Educativa, onde realiza trabalhos sobre gênero e educação.
Fonte: http://blogueirasfeministas.com/2014/06/a-espera-da-geracao-de-mulheres-que-nao-se-importam-com-o-que-os-homens-querem/

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eis o perigo de mexer com pessoas inteligentes....


Achei este texto qdo estava sapeando o Facebook. Difícil encontrar coisas bacanas, mas esse me surpreendeu... Da-le Danilão...Eis o perigo de mexer com pessoas inteligentes....

 
 
Eis o perigo de mexer com pessoas inteligentes....
O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter:
"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"
A ONG Afrobras se posicionou contra: "Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal", diz José Vicente, presidente da ONG. "Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade" , avalia Vicente.
Alguns minutos após escrever seu primeiro "twitter" sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog:
"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" (GENIAL) "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito."
Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA:
"Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?
Quem propagou a ideia que "negro" é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra".
Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, MAS SIM DE BURRO.
Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.
Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:
- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.
Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.
Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?
Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.
Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afrodescendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis.
Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus "defendidos"
Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, SOU ÍTALO-DESCENDENTE. ITALIANOS NÃO ESCRAVIZARAM AFRICANOS NO BRASIL. VIERAM PRA CÁ E, ASSIM COMO OS PRETOS, TRABALHARAM NA LAVOURA. A DIFERENÇA É QUE ESCRAVA ISAURA FEZ MAIS SUCESSO QUE TERRA NOSTRA.
Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.
Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.
Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café com leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.
Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afrodescendente" , tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça - a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão."

O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter:
"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"
A ONG Afrobras se posicionou contra: "Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal", diz José Vicente, presidente da ONG. "Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade" , avalia Vicente.
Alguns minutos após escrever seu primeiro "twitter" sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog:
"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" (GENIAL) "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito."
Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA:
"Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?
Quem propagou a ideia que "negro" é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra".
Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, MAS SIM DE BURRO.
Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.
Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:
- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.
Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.
Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?
Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.
Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afrodescendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis.
Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus "defendidos"
Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, SOU ÍTALO-DESCENDENTE. ITALIANOS NÃO ESCRAVIZARAM AFRICANOS NO BRASIL. VIERAM PRA CÁ E, ASSIM COMO OS PRETOS, TRABALHARAM NA LAVOURA. A DIFERENÇA É QUE ESCRAVA ISAURA FEZ MAIS SUCESSO QUE TERRA NOSTRA.
Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.
Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.
Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café com leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.
Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afrodescendente" , tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça - a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão."

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Los Sebosos Postizos lançam CD e vinil em tributo a Jorge Ben Jor


Em um ano de tímidos tributos aos 70 anos de Jorge Ben Jor (comemorados em março), enfim aparece um à altura do homenageado. Ainda que o lançamento não tenha sido planejado para casar com a efeméride.
Projeto antigo de alguns dos integrantes da Nação Zumbi, o Los Sebosos Postizos lança agora disco homônimo, em CD e vinil, com interpretações de sucessos e outras canções menos conhecidas de Ben Jor.
Surgido em 1998 no show chamado "Noite do Ben", o projeto já era bem conhecido de shows e na internet.
Em 2004, o grupo formado por Jorge Du Peixe (voz), Lúcio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e Pupillo (bateria) viu o áudio do registro com 20 músicas de um show no Sesc Pompeia se alastrar na rede.
Oito anos depois, eles lançam o disco, com 14 faixas no CD e 11 no vinil. O trabalho foi produzido, gravado e mixado por Mario Caldato Jr.


MATURAÇÃO
"Esse tempo serviu para a gente dar uma maturada nas músicas. E acho que esse é o caminho certo de gravar um disco. Você leva para o palco, experimenta as músicas e depois vai para o estúdio", comenta Jorge Du Peixe.
O repertório vai desde 1963, do LP inaugural do compositor, cantor e violonista, "Samba Esquema Novo", até 1972, ano do antológico "A Tábua de Esmeralda".
Deste disco, o Los Sebosos fez arranjos para clássicos como "Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar", "Os Alquimistas Estão Chegando", "O Homem da Gravata Florida" e "Cinco Minutos".
"Quando a gente foi morar no Rio, começou a fuçar naqueles discos bem arranjados e orquestrados do Ben Jor pela Philips. Não era nada forçado, mas o 'Tábua de Esmeralda' rolava pelo menos uma vez por dia", diz Du Peixe.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

“Tentativa” mostra crises existenciais de uma mulher no Sesc Consolação


Espetáculo tem texto assinado por Tatiana Schunck e Henrique Schafer
"Tentativa" tem duração de 50 minutos
A difícil transição de uma mulher complexada é o tema da espetáculo“Tentativa”, em cartaz no Sesc Consolação entre 4 de outubro e 1º de novembro, com ingressos até R$ 10.
No palco, a atriz Tatiana Schuck interpreta o papel de uma mulher que decide revisitar suas lembranças e passá-las a limpo, como uma forma de análise se consciência, onde ela conversa com si mesma e com o público sobre a crise que a afeta.
Com duração de 50 minutos, o espetáculo tem direção e Henrique Schafer e nasceu a partir da leitura de depoimentos de sofrem do transtorno de Boderline – que tem a oscilação de humor, impulsividade emocional e incômodo com o mundo como principais sintomas.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Artista faz série de autorretratos sob o efeito de várias drogas


Um artista encontrou uma maneira pouco ortodoxa de obter uma visão diferente de si mesmo e da sua arte. Bryan Lewis Saunders, 43, resolveu fazer uma série de autorretratos sob o efeito de diferentes drogas. Ao "F5", ele contou que a ideia surgiu após ele se mudar para um prédio em que "havia muita pessoas cujas vidas aconteciam ao redor das drogas"". O experimento aconteceu em agosto de 2001, mas voltou a bombar na web semana passada. Para ser realizado, ele usou cerca de 18 drogas --remédios controlados, maconha, cocaína, entre outras-- em 11 dias. Algumas delas foram consumidas em conjunto, mas ele não sabe precisar a quantidade exata que usou de cada uma. Saunders contou que já tinha provado algumas substâncias, mas que nunca tinha trabalhado sob o efeito delas. "Eu só provava as drogas que as pessoas me davam quando batiam em minha porta". Das 18 drogas, o artista disse que é fácil dizer qual produziu os melhores efeitos, o Xanax, um ansiolítico que foi "consumido em doses desconhecidas pelos hospitais", como ele mesmo descreve em uma de suas obras. A obsessão de Saunders com autorretratos começou bem antes do experimento. Em 1995, ele decidiu fazer um retrato seu por dia. "Tive duas razões para fazer isso. Queria ver se a arte podia ser terapêutica e me ajudar a criar sentimentos. E eu pensei que, se todo dia era um novo dia, então nenhum desenho deveria ser igual ao outro", contou.Além de artista plástico, Bryan também faz permances ao vivo e é videomaker. 

2mg de Xanax

2mg de chiletes de nicotina

4mg de Dilaudid

Uma taça do "verdadeiro" absinto (não aquela porcaria falsa)

10mg de Ambien

7.5mg Hydrocodone / 7.5mg Oxycodone / 3mg Xanax

Sais de banho

15mg de Buspar (inalado)

Óleo de haxixe extraído com butano

1/2 gramas de cocaína

1 dose de cristais de metanfetamina

Morfina IV (dosagem desconhecida)

G13 Marijuana (espécie de maconha

Ativan e Haloperidol (dosagem desconhecida em hospitais)

Fonte: http://f5.folha.uol.com.br/humanos/1137075-artista-faz-serie-de-autorretratos-sob-o-efeito-de-varias-drogas.shtml

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A adequação do homem em novos ambientes


O homem tem a extraordinária capacidade de se adequar ao ambiente em que vive, dentro de nossa história temos feitos que marcaram o desenvolvimento da espécie. Mas como se dá esta capacidade em relação às leis, normas que gerem os mecanismos sociais, ou quando estes padrões interferem no cotidiano daqueles que de alguma forma ficam as margens desta sociedade. A subversão as leis é uma opção utilizadas por aqueles que de alguma forma são prejudicados socialmente, mas qual a relação contemporânea entre estes sujeitos, os mecanismos punitivos e sua cultura.

Segundo Hobbes cria-se uma concepção acerca da natureza humana, da qual afirma que o homem é mau em sua essência, seu estado de natureza, onde os instintos prevalecem, é gerador de conflitos constantes para sobrevivência. Para que não houvesse estes confrontos foi convencionada uma espécie de contrato social que se fundamenta nas noções de bem e mal, criando valores para a vida em sociedade. Nesta linha Laraia afirma que apesar de termos criado a cultura “o homem necessita satisfazer suas necessidades biológicas, como se alimentar”. No convívio social, o mecanismo utilizado para obter esta realização é através do trabalho, que cria a condição para adquirir aquilo que é essencial para a sobrevivência.

Na contemporaneidade vemos uma expansão clara do que realmente é necessário para vida e uma exigência de um arsenal de equipamentos para se incluir na sociedade, o desejo de bens de consumo tornaram-se necessário a posse dos mesmos, critério de pertencimento a grupos. E isto vale para todos, inclusive aqueles que vivem de forma marginalizada.

Dentro deste contexto, temos sujeitos que por diversos motivos, não aderem ao mercado de trabalho legalizado, segundo Wacquant, “[a] política de criminalização da pobreza, que é o complemento indispensável à imposição de ofertas de trabalho precárias e mal remuneradas” acaba desestimulando a busca pela legalidade e deixa como alternativa a criminalidade, que objetiva dinheiro, status ou pertencimento a um grupo social. Laraia citando Kroeber diz “a cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica suas realizações”, desta forma o homem busca dentro de sua própria cultura mecanismos de alcançar seus desejos e necessidades, mesmo que não seja da forma que é aceita socialmente, como a criminalidade.

No mundo da criminalidade, em muitos casos, formam-se grupos organizados que pensam e colocam em prática uma estrutura organizacional bem elaborada, que por muitas vezes tendem a seguir o seu próprio código de ética. Há situações em que o sujeito acaba sendo punido por meios legais e dentro da prisão, local onde a pessoa que cometeu algum tipo de subversão as leis fica reclusa, perdendo seu direito a liberdade de ir e vir. A intenção é que o criminoso pague pela ação praticada que prejudicou a sociedade. Esta também, parte do pressuposto de exemplificar para os demais membros da sociedade o que acontece com aqueles que não se enquadram dentro das normas/leis que foram estabelecidas. A prisão está na ordem de separar os que servem para a sociedade, vendem sua força de trabalho daqueles são considerados de alguma forma como os “excluídos”. Segundo Rego, “a prisão é utilizada por uma elite dominante para exercer o controle em momentos de conflitos”, ou seja, segregar sujeitos indesejáveis.

No entanto, dentro das prisões este grupo cria métodos de sobrevivência e uma cultura própria, com suas regras que devem ser seguidas, pois, caso contrário isso pode significar a morte. Estabelecem tipos de comportamentos para o cotidiano dentro da prisão que vai desde a higiene até o modo de se portar em dias de visita. Decidem quando pode haver ou não acertos de contas, criam assembléias/debates para decidirem que tipo de punição deverá ser dada para os que não se enquadram, criam papéis “funções” para os membros. Isto dá a sensação de pertencimento ao grupo, se você tem “proceder” (Marquez) você é respeitado e para alguns é a única forma de ter algum tipo de reconhecimento social.

Dentro desta cultura estabelecida nas prisões há uma reprodução da experiência social dos “livres”, existe segregação entre os presos que pertence a um grupo e aqueles que são considerados por estes como “não tendo proceder”, “fora”, que são sujeitos que as atitudes não correspondem às regras criadas e que acabam tendo de ir para o “seguro”, local na prisão de acesso restrito e fora da convivência com outros detentos, reproduzindo a mesma concepção de exclusão que é vivenciada por muitos quando estão fora da cadeia.

Em suma, esta realidade nos mostra a capacidade do homem em reproduzir sua experiência de vida, como excluir sujeitos que não se encaixam aos seus padrões da mesma forma que acontece com ele na sociedade. Existe um ciclo em que o sujeito está inserido e nem mesmo percebe suas atitudes, o vicio que foi incutido pela sociedade não se elimina, ao contrário, se desenvolve de forma mascarada, em uma pseudo liberdade que adere ao igual e menospreza o diferente.

Mas, este mesmo individuo, que reproduz as desigualdades também é capaz de reelaborar suas concepções de mundo, criar novas regras que atendam diversas situações cotidianas em que é submetido, determina novos entendimentos acerca do bem e do mal, porque o homem é um ser cultural, interage com o mundo e se condiciona a sobrevivência dentro das circunstancias mais inapropriadas para tal.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

OSTENTAÇÃO


Artigo Márcia Tiburi
OSTENTAÇÃO – O CULTO ÀS MARCAS – MEU ARTIGO DO MÊS PASSADO DA REVISTA CULT
A hipervalorização de bens ditos “de marca” é uma característica das sociedades contemporâneas.  Delas advém a distinção como forma de poder que fascina tanto ricos quanto pobres no cenário da dessubjetivação partilhada por todos, da loja de luxo ao camelódromo das falsificações.
A questão da distinção guarda em seu fundo um aspecto mais tenebroso, concernente ao presente da condição subjetiva da vida dos usuários devorados pelas antipolíticas autodestrutivas do consumismo transformado em regra.
Zerada a intersubjetividade que se definia na interação afetiva e comunicativa entre pessoas, o que resta são as coisas – e as pessoas como coisas – que podem ser compradas. Diga-se de passagem que as pessoas não compram coisas, mas sinais que informam sobre um capital simbólico. Coisificação da consciência é o nome velho para o fenômeno em que a concretude das coisas é substituída pela abstração da insígnia.
A fascinação de tantas pessoas por roupas, carros e até eletrodomésticos ditos “de marca” em nossa época é a declaração auto-exposta da morte do sujeito. Espantalhos de uma ordem que previu o assassinato do desejo, do pensamento e da liberdade – conjunto do que aqui chamamos de subjetividade – são incapazes de compreender seu descarado simulacro.
A morte por assassinato da subjetividade é percebida na redução do indivíduo a uma espécie de morto-vivo em três tempos. 1 – A destituição do direito ao próprio desejo: a publicidade colonizou a capacidade de sentir e projetar a autobiografia de cada um que é apagada na encenação da “vida fashion”. 2 – A desaparição da possibilidade de pensar: a publicidade oferece os jargões e slogans a serem repetidos sob a ilusão de ideias próprias. 3 – O direito à ideia-prática da liberdade é extirpado: resta o simulacro da escolha entre uma marca e outra. A ação torna-se acomodação ao mesmo de sempre.
A escolha entre o nada e a coisa nenhuma é bem disfarçada no poder de ostentar que promete redimir do buraco subjetivo. Não tendo mais o que expressar, alguém simplesmente “ostenta” um relógio caro, um computador moderninho, um carrão oneroso. Ou um piercing, um músculo forte. Tudo e cada coisa é reduzida à marca, emblema do capital e seu poder na era do Espetáculo.
Cultura da falsa expressão
Podemos dizer que a ostentação é a cultura da pseudo-expressão no tempo das marcas. Se o poder de ostentar é proporcional ao esvaziamento da expressão, resta perguntar o que foi feito dessa potência humana? Ora, a expressão é fator subjetivo que se cria em um contexto social e político em que está em jogo a capacidade de “dizer alguma coisa”, de “dizer o que se pensa”, o que se “deseja”.
Só que fomos privados da expressão com a derrocada da formação de sujeitos desejantes, reflexivos e livres. Se as pessoas não dizem o que pensam, é porque a capacidade de pensar e dizer lhes foi extirpada. No lugar, podem travestir-se com a insígnia do poder fundamentalista das marcas da religião capitalista. A cruz para Cristianismo, a Estrela de Davi para o Judaísmo, a Lua Crescente para o Islamismo e uma marca famosa para o servo fiel do capital.
Os jovens são as principais vítimas dessa violência. Que sejam o “público alvo” quer dizer que são a presa fácil para um tiro certeiro. Os rebanhos de zumbis nikezados, abercrombizados, macdonaldizados, são arregimentados no exército de otários das massas manobradas, paramentados para o grande sacrifício sem ritual do capitalismo, em que a subjetividade é diariamente morta a pauladas.
A saída é a arte, a poesia, a negação ativa contra o uso e o consumo de marcas. A prática anti-capitalista é um ateísmo e começa com a recusa aos seus deuses como simples profanação cotidiana.

sexta-feira, 23 de março de 2012

VEJA A PROGRAMAÇÃO DO FIM DE SEMANA

Convite da festa Voodoohop, que propõe cortejo ao som de música brasileira e eletrônica pelo Minhocão na tarde de domingo (25)
Convite da festa Voodoohop, que propõe cortejo ao som de música brasileira e eletrônica pelo Minhocão na tarde de domingo (25)

SEXTA (23)
20h30 - Av. São João x R. Helvétia - Cinoia: Cinema para Fumantes, Cafeinólotras e Compulsivos - sessão de curtas-metragens que dialogam com a estética das ruas (Essa é pra mim)
22h - Av. São João x R. Helvétia - Pernas Dançantes - projeção móvel de pernas dançarinas criada pela artista Márcia Beatriz

SÁBADO (24)
13h - Largo do Arouche - Piquenique do Compartilhamento - comidas, bebidas e HDs cheios de mídia serão bem-vindos na tarde de compartilhamento
15h - Saída da Praça Roosevelt - Festa de Rua - a festa Santo Forte, do DJ Tutu Moraes, percorre as ruas do centro até chegar ao lardo do Arouche
21h - Largo do Arouche - Show Retriegger - acostumado a tocar em viadutos e praças, Retriegger leva seu laptop às ruas do centro
24h - Praça Marechal Deodoro - Futebol Autônomo da Madrugada - jogos abertos com duração de sete minutos
DOMINGO (25)
10h - Praça Marechal Deodoro - Oficina de Maracatu - o grupo coro de Carcarás comanda o encontro
10h - Minhocão - Ioga ao ar livre - a professora Katerina Volcov oferece aula no asfalto do elevado
15h - Minhocão - Festa Voodoohop - tradicional festa do centro faz cortejo ao som de música brasileira e eletrônica
17h - Minhocão - Ação #13 - performance aberta baseada em textos de Clarice Lispector

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Filme Capitães da areia



Ontem assisti ao tão esperado filme "Capitães da areia", sou meio suspeita em falar porque adoro Jorge Amado, para falar a verdade, ele é meu autor favorito.
O filme é muito bom, muito bem feito e os personagens são exatamente aquilo que imagina enquanto estava lendo o livro, principalmente o Gato e o Sem pernas. 
É mais uma excelente produção nacional. 
Só tem um adendo: quem tiver que fazer alguma prova e se basear no filme, está fudido. Porque muitas partes relevantes da história foram cortadas. Mas vale a pena conferir, tanto o filme quanto o livro.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Protocolo Ação Processos ou Encontro do Vocacional


O encontro no Tendal
Teve muita empolgação
Foi sensacional
E comprimos a programação

Os grupos se apresentaram
Com muita criatividade e alegria
As pessoas se entusiasmaram
Mostrando para todos a sua simpatia

Criamos grupos diferentes
Conhecemos novos procedimentos
Para montar cenas frias e quentes
Pesquisamos vários elementos

A Ana Flávia, o Manu e o Roberto deram a orientação
Dos processos que foram escolhidos
Para que se apresentassem com satisfação
O que aconteceu aos conjuntos foi muito divertido

Com a galera do Cacilda, Alceu e Tendal
Trocamos experiências de Ação Processos
Realizamos os procedimentos do Teatro Vocacional
Com apresentações que foram um sucesso

O que sucedeu nesse dia
Foi muita felicidade
Das pessoas que com cortesia
Se entregaram com intensidade.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Parnaíba Festival

Iai galera dia 17 e18, mais um Parnaiba 


Festival resgatando a cultura popular e 


misturando o velho com o novo só pra ver o 


que vai dar... O evento conta com a presença 


dos Artista:

Arnaldo Antunes, Naná Vasconcellos, B Negão 


e os Seletores de Frequência e Pedra Branca 


são algumas das atrações do Parnaíba Festival  


que acontece nos dias 17 e 18 de setembro.




Onde: Centro Histórico de Santana de Parnaiba


Quanto: No vasco, de grátis....

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O casulo invisível

Durante a crise do gigantesco vazamento de óleo da British Petroleum, no ano passado, o autor americano Eli Pariser pediu a duas pessoas, que ele conhecia e vivem na mesma região do país, que googlassem "BP". No primeiro resultado de buscas, uma delas recebeu notícias sobre o desastre ecológico e suas consequências. A segunda busca gerou informações sobre as ações da companhia e dicas financeiras. E daí?, perguntará o leitor que, além de não viver de pesca na Louisiana, não investe em ações de companhias de petróleo.
O exemplo acima ilustra o argumento do livro recém-lançado por Pariser, The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding From You (A Bolha do Filtro: O Que a Internet Está Escondendo de Você). E o você do título é qualquer internauta.
Lá vem mais uma ludita acenando com cenários orwellianos, dirá o homo ciberneticus, em beatitude constante com sua existência digital. Reconheço que há uma espécie de racha ideológico alimentado pela ignorância da grande maioria dos leitores, e me incluo entre eles, sobre as entranhas da tecnologia da informação. Vivemos numa gangorra bipolar em que os especialistas inspiram euforia ou depressão sobre o significado de viver online.
O livro de Eli Pariser é um bom exemplo. Não deve ser tomado como prova do fim dos tempos, mas soa um alerta válido e ilumina um fato que grandes corporações de mídia gostariam de manter obscuro: vivemos cada vez mais em casulos de informação, zonas de conforto impostas por modelos matemáticos. Daí os resultados tão diferentes quando duas pessoas googlaram "BP".
Outra experiência narrada por Pariser, um ex-diretor do MoveOn.org, o movimento à esquerda do espectro político americano que ajudou a mobilizar o voto pró-Obama, se passou no Facebook. Ele notou que seus amigos conservadores começaram a sumir das atualizações de sua página. Só recebia notícias de seus amigos politicamente liberais. O gigante da mídia social havia decidido que, por surfar em sites progressistas, Pariser devia "se afastar" da companhia de direitistas.
A personalização das ferramentas de busca para otimizar a venda de publicidade foi vendida como uma conveniência para combater o excesso de informação irrelevante. E, de fato, é muito prática se você está buscando uma farmácia aberta durante 24 horas no seu bairro. Mas, se há um desastre ecológico em curso e uma ferramenta de busca que seleciona para você dicas de ações da companhia responsável pelo estrago, caímos no paternalismo do algoritmo que faz escolhas por nós.
O autor de The Filter Bubble alega que, por ser silenciosa e invisível, a bolha seletiva criada por sites como o Google, Yahoo e o Bing tem um potencial sinistro de moldar e limitar nosso acesso à informação. E, se consideramos o instrumento da seleção em regimes autoritários, ela adquire controles mais amplos. Enquanto a história de fazia nas ruas do Cairo, o incauto que buscasse "Praça Tahrir" poderia ser dirigido a pacotes turísticos. Eli Pariser sugere que as corporações sejam mais transparentes sobre os métodos que usam para traçar nosso itinerário online.
Os algoritmos usados nas buscas - e é bom lembrar que algoritmo não pensa -, ao passarem de árbitros da seleção de anúncios a editores invisíveis do conteúdo que acessamos, vão induzindo o que Pariser define como um estado de autodoutrinação progressivo. Passamos a consumir informação que nos interessa e o conhecimento do mundo vai sendo engessado, como no exemplo dos amigos de Pariser no Facebook, pela companhia de gente com preocupações políticas idênticas. Pariser lembra que a exposição à diferença do outro é uma proteção preciosa para não esquecermos dos limites da nossa compreensão da realidade. E argumenta, com razão, que é da natureza humana buscar conforto e reafirmação. Neste admirável mundo novo da personalização e do hiperentretenimento, diz ele, quantos vão clicar "curtir" no topo de uma notícia de guerra civil na África?
Pariser sugere que aos internautas seja dado um acesso muito maior a recursos de controle dessa seleção nada natural. É uma forma de resistir à engenharia da visão de mundo, promovida sem reservas pela mídia social. Ele diz que uma das inspirações para o livro foi um comentário do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg: "Um esquilo que morre no seu jardim tem mais relevância para você atualmente do que gente morrendo na África". Se é cada vez maior o número de pessoas apenas preocupadas com a morte do esquilo, o que isso representa para o futuro da sociedade? 
Por: Lúcia Guimarães

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Yves de La Taille: "Nossos alunos precisam de princípios, e não só de regras"

YVES DE LA TAILLE. Foto: Almir Cândido de Almeida

Para o psicólogo, a escola deve investir em formação ética no convívio entre alunos, professores e funcionários para vencer a indisciplina


Agressões, humilhação, ausência de limites. Nove em cada dez educadores reclamam que as salas de aula estão cada vez mais incivilizadas e que é preciso dar um basta. Para resolver o problema, nove entre dez escolas recorrem a regras de controle e punição. "É legitimo, mas é pouco. É preciso criar uma lei para coibir algo que o bom senso por si só deveria banir?”, questiona Yves de La Taille, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Especialista em Psicologia Moral (a ciência que investiga os processos mentais que levam alguém a obedecer ou não a regras e valores), ele defende que a escola ajude a formar pessoas capazes de resolver conflitos coletivamente, pautadas pelo respeito a princípios discutidos pela comunidade. O caminho para chegar lá passa pela formação ética – não necessariamente como conteúdo didático, mas principalmente no convívio diário dentro da instituição.
Co-autor dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) sobre Temas Transversais, La Taille aponta que a tentativa de abordar assuntos como ética, orientação sexual e meio ambiente de maneira coordenada em várias disciplinas não funcionou no Brasil. "É uma proposta sofisticada que não se transformou em realidade." Nesta entrevista concedida a NOVA ESCOLA, o ganhador do Prêmio Jabuti de 2007 na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise, com o livro Moral e Ética, Dimensões Educacionais e Afetivas, indica caminhos para trabalhar esses temas no ambiente escolar.

Políticos, educadores e a sociedade cada vez mais pedem ética para solucionar problemas  sociais. A que se atribui essa demanda? 
YVES DE LA TAILLE
 Existe uma situação de medo, uma percepção de que as relações humanas estão cada vez mais desrespeitosas. Mas creio que a demanda social não seja realmente por ética. O clamor, na verdade, é por normatização. Tanto que hoje temos uma espécie de hiperinflação de leis. Um exemplo é o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa de São Paulo proibindo o uso de celulares dentro das classes. É claro que atender ao aparelho durante a aula atrapalha, mas como a escola enfrenta esse problema? Criando uma regra de controle em vez de discutir os valores envolvidos nessa situação – o respeito ao outro, por exemplo. Penso que deveria haver uma regulação social, e não uma regulação estatal, para esses comportamentos.

O que significa isso? 
LA TAILLE
 Significa que a própria sociedade deveria ser capaz de administrar essas atitudes. O professor, por exemplo, tem a possibilidade de dizer: “Não vamos usar o celular porque isso atrapalha a aula, a não ser numa emergência”. Quando uma lei exterior resolve até os mínimos conflitos, cria-se uma sociedade infantil. Já a formação ética, em vez da simples normatização, discute as relações com outras pessoas, as responsabilidades de cada um e os princípios e valores que dão sentido à vida. No Ponto de Encontro, procure pela comunidade Indisciplina Escolar

Como a escola pode discutir princípios e valores? LA TAILLE Antes de tudo ela tem de eleger seus próprios princípios, coerentes com a
Constituição brasileira: liberdade, respeito, igualdade, justiça, dignidade... É fundamental,
ainda, deixar claro aos estudantes e pais quais são esses princípios, defendendo-os com unhas e dentes. Por exemplo, se um aluno for humilhado, ferindo o princípio da dignidade, algumacoisa precisa ser feita. Aí entram debates, reuniões e assembléias para discutir regras que garantam a defesa do princípio. "A dimensão moral da criança tem de ser trabalhada desde a pré-escola. Ética se aprende, não é uma coisa espontânea"

Qual é a real influência da escola no desenvolvimento moral e ético? LA TAILLE Em primeiro lugar, é preciso lembrar que criar cidadãos éticos é uma responsabilidade de toda a sociedade e suas instituições. A família, por exemplo, desempenha uma função muito importante até o fim da adolescência, enquanto tem algum poder sobre os filhos. A escola  também, na medida em que apresenta experiências de convívio diferentes das que existem no ambiente familiar – se deixo meu quarto bagunçado, o problema é meu; se deixo uma classe bagunçada, o problema não é só meu.

Cidadania e ética podem ser trabalhadas nas séries iniciais?
PERGUNTA DA LEITORA Solange Gomes, Vilhena, RO 

LA TAILLE
 Claro. A dimensão moral da criança tem de ser tratada desde a préescola e se estender por toda a trajetória do aluno. O trabalho pode ser feito de forma simples ou sofisticada, não importa: o que a escola não pode é silenciar. Décadas atrás, tiraram a disciplina Educação Moral e Cívica do currículo. É bom que ela tenha sido eliminada por causa de sua ligação com a didatura militar, mas o problema é que não colocaram nada no lugar. Moral, ética e cidadania se aprendem, não são espontâneas.

É preciso criar aulas específicas para abordar esses temas? 
LA TAILLE
 Penso que a transversalidade é melhor que uma aula específica. Se ela for considerada inviável numa determinada instituição, então que se proponha uma aula. Mas, se essas discussões não encontrarem eco nas próprias relações da escola, o trabalho em sala terá pouco efeito. É preciso que o conteúdo seja inseparável do convívio. Não adianta falar das belas virtudes da justiça e da generosidade e ter um ambiente de desrespeito e indiferença. Por outro lado, se os contatos forem expressão de uma sociedade digna e solidária, faz sentido discutir justiça e generosidade. Existe uma ponte entre a vida e a ref lexão sobre a vida.

Muitos educadores trabalham regras de convivência com a turma em suas aulas por meio dos combinados, discutindo normas coletivamente. Qual é sua opinião sobre essa prática? 
LA TAILLE
 Para que um combinado seja efetivamente aceito, é preciso prestar atenção a três aspectos. Primeiro, é necessário que os princípios inspiradores norteiem o acordo e sejam explicitamente colocados, não fiquem apenas implícitos para a turma. Na escola inglesa Summerhill, por exemplo, um dos princípios fundamentais é o da igualdade. Com base nele, ficou decidido que nenhuma assembléia poderia resolver que os meninos menores serviriam aos maiores – algo que, na prática, poderia acontecer caso os mais velhos tivessem maioria em uma votação, digamos. Esse, aliás, é o segundo ponto importante: deve-se evitar ao máximo que os combinados se dêem por votação. É preferível procurar o consenso, o que dá muito mais trabalho mas é bem mais rico porque desenvolve a prática de escutar o outro. Se o grupo segue muito rápido para a votação, elimina-se uma etapa preciosa que poderia ser dedicada ao diálogo. A votação não é diálogo, a votação é poder: se eu tenho mais votos que você, você perde e eu ganho. Em terceiro lugar, o professor não pode abrir mão de seu papel de autoridade, simplesmente jogando para o grupo asresponsabilidades pelas sanções que o combinado pode gerar.

Há algum caso prático que exemplifique essa atuação? 
LA TAILLE
 Posso contar um fato real ocorrido numa excelente escola, uma das melhores que eu conheço. A professora combinou com uma turma de 5 e 6 anos que, após as brincadeiras, as crianças guardariam os brinquedos. Todas brincaram, mas duas delas resolveram não guardar o brinquedo. O que fazer nessa hora? A educadora – que depois se arrependeu profundamente – propôs que a classe criasse uma lista num pedaço de papel, escrevendo de um lado aqueles que cumpriram o combinado e do outro os que não. Resultado imediato: o menino e a menina que haviam desobedecido ao acordo ficaram desesperados porque se viram excluídos. Foram para casa e disseram que não queriam mais voltar à escola de jeito nenhum. O erro da professora foi justamente atribuir ao grupo a sanção. A tirania do grupo às vezes é pior do que a tirania de uma só pessoa.

Qual seria a atitude correta da professora nessa situação? 
LA TAILLE
 Ela deveria ser a guardiã do combinado, dizendo aos pequenos: “Vocês vão arrumar os brinquedos, sim. Primeiro, em razão do combinado. Segundo, porque eu estou mandando”. É preciso cuidar para que a criança não substitua a figura do adulto. Ela precisa dessa referência de autoridade, de proteção, de confiança. Depois, à medida que a turma vai tomando consciência e refletindo sobre as questões morais, pouco a pouco o grupo passa a assumir essa referência.

Então, pode-se dizer que a questão da indisciplina é um problema moral? 
LA TAILLE
 Depende do que se entende por indisciplina. Eu vejo três definições para o termo. A primeira tem a ver com a falta de autodisciplina, que é quando o aluno não consegue organizar a tarefa. A segunda pode ser associada à desobediência. Acontece quando eu mando o aluno fazer algo e ele não faz. Eu deixo de ter autoridade porque ele não seguiu minhas ordens, mas não fui desrespeitado. O estudante pode desobedecer dizendo algo como “Senhor, me desculpe, mas eu não vou fazer a lição”. É uma questão política, tem a ver com a legitimidade do posto de direção. A terceira indisciplina, o desrespeito, essa, sim, é uma questão moral. Se estou lecionando e o aluno se levanta e vai embora como se eu não existisse, fui desobedecido como autoridade e desrespeitado como pessoa, independentemente do fato de eu ser ou não professor. Isso não se justifica. Um professor com uma aula chata não me autoriza de jeito nenhum a desrespeitá-lo.

Como co-autor do capítulo dos Temas Transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais, qual é  sua avaliação sobre o impacto desse documento na formação dos alunos? 
LA TAILLE
 Em geral, o que se verifica é que a tranversalidade foi pouquíssimo implementada. Ela se baseia na idéia de que um determinado tema social seja trabalhado coordenadamente por professores de várias disciplinas. Cada um deles contribuiria, dentro de sua área de atuação, para o ensino desses assuntos. Para que isso seja feito, é preciso que a equipe se reúna,  estabeleça metas e defina o que cada um vai abordar. Isso pressupõe uma elaboração complexa: o tempo é essencial para organizar as propostas, colocá-las à prova e – não vamos esquecer nunca – avaliá-las. Na prática, esbarra- se em diversos problemas, como o fato de muitos professores trabalharem em várias escolas e só comparecerem para dar aulas ou, no máximo, também às reuniões ligadas a sua disciplina.

As escolas não estão preparadas para a transversalidade? LA TAILLE Eu diria que não estão disponíveis para ela, até pelas condições trabalhistas que acabei de mencionar. Existem belíssimas atividades com temas transversais, mas quase sempre são levadas por um único professor. Raramente há o comprometimento institucional necessário para o projeto se tornar a realidade proposta pelos PCNs. E o governo também precisa se comprometer.

De que forma? 
LA TAILLE
 Os políticos prestam um grande desserviço à Educação quando cada novo governo quer  partir quase do zero, como se cada mandato fosse a Revolução Francesa, que aboliu o calendário  anterior e implantou novos meses, novas datas. Pegue-se o caso dos PCNs, feitos no governo  Fernando Henrique e atualmente deixados de lado, apenas vegetando no site do Ministério da  Educação. E o programa Parâmetros em Ação, que era essencial para instrumentalizar a proposta,  foi abandonado. Ele seria essencial para concretizar os PCNs, que são, evidentemente, teóricos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

AMOR?

AMOR


João Jardim é conhecido principalmente pelos seus documentários. Afinal, ele é o cara por trás de Lixo Extraordinário e Janela da Alma – esse último um quase clássico nacional do gênero. Agora, lança seu novo filme chamado “Amor?”, em que filma histórias reais de amor. “São relatos muito sinceros de pessoas que viveram situações que envolvem ciúmes, culpa, paixão e poder. Até pensei em mostrar os verdadeiros personagens na tela, mas, além da privacidade de cada um, havia a privacidade do parceiro de quem falavam”, conta Jardim. “Além disso, havia também questões legais. Poderíamos ou não expor estas pessoas à esta situação? Então, optei por convidar atores. Por isso, Amor? não é um documentário. Nem ficção. É impossível de classificá-lo.”
No elenco, nomes de peso como: Lilia Cabral, Eduardo Moscovis, Letícia Colin, Claudio Jaborandy, Silvia Lourenço, Fabiula Nascimento, Mariana Lima, Ângelo Antônio e Julia Lemmertz.


Ainda não assisti, mas parece ser ótimo.