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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Humanidade atropelada

“Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa…a vida é tão rara” (Lenine)
O trânsito de nossas cidades revela o nosso comprometimento pessoal e coletivo com a esquizofrenia e a imposição dos números. Passo Fundo, cidade do norte do Rio Grande do Sul, vive em 2014 a supremacia dos números, de carros. Segundo estudo do arquiteto e urbanista desta cidade, Daniel Bueno, nossa cidade dobrou o número de carros em relação ao número de habitantes, no período de 2006 a 2009. Estarrecedor!
Cabe, então, uma singela reflexão sobre o porquê da supremacia das máquinas e dos motores. O fato é que reduzimos nossas vidas a uma competição com o tempo. O que é a pressa senão a pretensão de reduzirmos tempo? O que é a correria senão querer fugir do lugar para chegar a lugares, e mais lugares? O que é a velocidade senão acelerarmos nossa louca correria.
Tudo corre muito ligeiro, mas o percurso e o desenrolar da vida segue regular. O tempo foi inventado pelos homens, mas a vida não. Enquanto aceitarmos que os números se imponham ao ritmo natural da vida, continuaremos lamentando o número de vítimas.
Aliás, o que são as vítimas além de números? Não nos assusta mais saber que, em apenas 05 meses do ano de 2014, 21 pessoas perderam suas vidas no nosso trânsito. Para ficarmos nos números, em 2013 foram 18 mortos. O que é que são 18 ou 21 pessoas mortas? O que elas representam diante de um total de quase duzentos mil habitantes?
Concordo com a afirmação das autoridades do trânsito de nossa cidade, de nosso estado e de nosso país de que os motoristas e pedestres são parte da culpa dos nossos acidentes. Que boa parte dos acidentes poderia ser evitada (sempre se…). Mas não posso ficar na mera constatação sem perguntar pelas causas. As causas, todos nós devemos investigar.
Cadê a nossa humanidade? Será que ela foi atropelada pelos números? Será que a organização do trabalho, da economia e do cotidiano das nossas cidades não está nos levando a uma mais completa loucura? Dizemos sempre que estamos correndo, mas nem sempre sabemos para onde nem atrás de que.
Fiquei pensando no que é mesmo esquizofrenia. Pesquisei e descobri que “esquizofrenia é uma doença psiquiátrica endógena, que se caracteriza pela perda do contato com a realidade. A pessoa pode ficar fechada em si mesma, com o olhar perdido, indiferente a tudo o que se passa ao redor ou, os exemplos mais clássicos, ter alucinações e delírios. Ela ouve vozes que ninguém mais escuta e imagina estar sendo vítima de um complô diabólico tramado com o firme propósito de destruí-la. Não há argumento nem bom senso que a convença do contrário.”. (Dr. Dráuzio Varella, médico psiquiatra).
Concluí, então ,que trânsito pode combinar com esquizofrenia. Não é louco?
* Nei Alberto Pies é professor e ativista de direitos humanos.
** Publicado originalmente no site Adital.
***Fonte: http://envolverde.com.br/sociedade/humanidade-atropelada/

domingo, 15 de janeiro de 2012

Adeus, sacolinhas



A partir deste mês inicia-se uma parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e a Apas - Associação Paulista de Supermercados para acelerar a redução do uso de sacolas plásticas nos supermercados. O que está gerando muita controvérsia e dúvidas em vários setores da sociedade.
Mas afinal, porque reduzir o uso das sacolinhas? De acordo com dados disponibilizados pelo MMA – Ministério do Meio Ambiente é produzido entre 12 e 18 bilhões de sacolas por ano, a maior parte tem seu descarte inadequado gerando um grande impacto no meio ambiente.
Devido recomendações da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estas sacolas por estarem em contato direto com alimentos, devem ser feitas com material virgem, ou seja, para produzir uma deve-se recorrer à natureza, refinar petróleo, gerando emissões de gases e impactos na fauna e flora.
Este material que aparentemente é inofensivo chega a matar um milhão de animais marinhos por ano, entopem bueiros, dificulta o escoamento da água causando enchentes nas cidades.
Além disso, ela retém o resíduo orgânico que deixa de entrar em contato com os microorganismos, por isso o alimento que deveria se biodegradar acaba se transformando em biomassa, água e CO2, apodrecendo e virando Metano (CO4) que possui maior potencial de aquecimento.
Está mais do que claro os motivos para abolir esta prática, entretanto, as opções para se desfazer do lixo ainda são um tanto quanto obscuras, afinal, não temos um projeto efetivo para coleta seletiva, que deveria ser implantado de forma conjunta. As alternativas que estão sendo oferecidas pelas redes de supermercados são a sacola biodegradável (que terá um custo de aproximadamente R$ 0,20 cada) e a sacola retornável (sem valor definido).
Acredito que esta medida é válida para tentarmos melhorar a qualidade de vida em nosso planeta, entretanto, falta cobrarmos uma postura coerente e políticas pública dos nossos representantes para que tenhamos condições de agir de acordo com o que nos é cobrado. O que fica para nós é a boa vontade e o desejo de mudança que a própria sociedade esta adquirindo, as pessoas estão percebendo que é preciso transformar nossos hábitos para que tenhamos um futuro no planeta.