Mostrando postagens com marcador Consumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Consumo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de julho de 2012

OSTENTAÇÃO


Artigo Márcia Tiburi
OSTENTAÇÃO – O CULTO ÀS MARCAS – MEU ARTIGO DO MÊS PASSADO DA REVISTA CULT
A hipervalorização de bens ditos “de marca” é uma característica das sociedades contemporâneas.  Delas advém a distinção como forma de poder que fascina tanto ricos quanto pobres no cenário da dessubjetivação partilhada por todos, da loja de luxo ao camelódromo das falsificações.
A questão da distinção guarda em seu fundo um aspecto mais tenebroso, concernente ao presente da condição subjetiva da vida dos usuários devorados pelas antipolíticas autodestrutivas do consumismo transformado em regra.
Zerada a intersubjetividade que se definia na interação afetiva e comunicativa entre pessoas, o que resta são as coisas – e as pessoas como coisas – que podem ser compradas. Diga-se de passagem que as pessoas não compram coisas, mas sinais que informam sobre um capital simbólico. Coisificação da consciência é o nome velho para o fenômeno em que a concretude das coisas é substituída pela abstração da insígnia.
A fascinação de tantas pessoas por roupas, carros e até eletrodomésticos ditos “de marca” em nossa época é a declaração auto-exposta da morte do sujeito. Espantalhos de uma ordem que previu o assassinato do desejo, do pensamento e da liberdade – conjunto do que aqui chamamos de subjetividade – são incapazes de compreender seu descarado simulacro.
A morte por assassinato da subjetividade é percebida na redução do indivíduo a uma espécie de morto-vivo em três tempos. 1 – A destituição do direito ao próprio desejo: a publicidade colonizou a capacidade de sentir e projetar a autobiografia de cada um que é apagada na encenação da “vida fashion”. 2 – A desaparição da possibilidade de pensar: a publicidade oferece os jargões e slogans a serem repetidos sob a ilusão de ideias próprias. 3 – O direito à ideia-prática da liberdade é extirpado: resta o simulacro da escolha entre uma marca e outra. A ação torna-se acomodação ao mesmo de sempre.
A escolha entre o nada e a coisa nenhuma é bem disfarçada no poder de ostentar que promete redimir do buraco subjetivo. Não tendo mais o que expressar, alguém simplesmente “ostenta” um relógio caro, um computador moderninho, um carrão oneroso. Ou um piercing, um músculo forte. Tudo e cada coisa é reduzida à marca, emblema do capital e seu poder na era do Espetáculo.
Cultura da falsa expressão
Podemos dizer que a ostentação é a cultura da pseudo-expressão no tempo das marcas. Se o poder de ostentar é proporcional ao esvaziamento da expressão, resta perguntar o que foi feito dessa potência humana? Ora, a expressão é fator subjetivo que se cria em um contexto social e político em que está em jogo a capacidade de “dizer alguma coisa”, de “dizer o que se pensa”, o que se “deseja”.
Só que fomos privados da expressão com a derrocada da formação de sujeitos desejantes, reflexivos e livres. Se as pessoas não dizem o que pensam, é porque a capacidade de pensar e dizer lhes foi extirpada. No lugar, podem travestir-se com a insígnia do poder fundamentalista das marcas da religião capitalista. A cruz para Cristianismo, a Estrela de Davi para o Judaísmo, a Lua Crescente para o Islamismo e uma marca famosa para o servo fiel do capital.
Os jovens são as principais vítimas dessa violência. Que sejam o “público alvo” quer dizer que são a presa fácil para um tiro certeiro. Os rebanhos de zumbis nikezados, abercrombizados, macdonaldizados, são arregimentados no exército de otários das massas manobradas, paramentados para o grande sacrifício sem ritual do capitalismo, em que a subjetividade é diariamente morta a pauladas.
A saída é a arte, a poesia, a negação ativa contra o uso e o consumo de marcas. A prática anti-capitalista é um ateísmo e começa com a recusa aos seus deuses como simples profanação cotidiana.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Adeus, sacolinhas



A partir deste mês inicia-se uma parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e a Apas - Associação Paulista de Supermercados para acelerar a redução do uso de sacolas plásticas nos supermercados. O que está gerando muita controvérsia e dúvidas em vários setores da sociedade.
Mas afinal, porque reduzir o uso das sacolinhas? De acordo com dados disponibilizados pelo MMA – Ministério do Meio Ambiente é produzido entre 12 e 18 bilhões de sacolas por ano, a maior parte tem seu descarte inadequado gerando um grande impacto no meio ambiente.
Devido recomendações da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estas sacolas por estarem em contato direto com alimentos, devem ser feitas com material virgem, ou seja, para produzir uma deve-se recorrer à natureza, refinar petróleo, gerando emissões de gases e impactos na fauna e flora.
Este material que aparentemente é inofensivo chega a matar um milhão de animais marinhos por ano, entopem bueiros, dificulta o escoamento da água causando enchentes nas cidades.
Além disso, ela retém o resíduo orgânico que deixa de entrar em contato com os microorganismos, por isso o alimento que deveria se biodegradar acaba se transformando em biomassa, água e CO2, apodrecendo e virando Metano (CO4) que possui maior potencial de aquecimento.
Está mais do que claro os motivos para abolir esta prática, entretanto, as opções para se desfazer do lixo ainda são um tanto quanto obscuras, afinal, não temos um projeto efetivo para coleta seletiva, que deveria ser implantado de forma conjunta. As alternativas que estão sendo oferecidas pelas redes de supermercados são a sacola biodegradável (que terá um custo de aproximadamente R$ 0,20 cada) e a sacola retornável (sem valor definido).
Acredito que esta medida é válida para tentarmos melhorar a qualidade de vida em nosso planeta, entretanto, falta cobrarmos uma postura coerente e políticas pública dos nossos representantes para que tenhamos condições de agir de acordo com o que nos é cobrado. O que fica para nós é a boa vontade e o desejo de mudança que a própria sociedade esta adquirindo, as pessoas estão percebendo que é preciso transformar nossos hábitos para que tenhamos um futuro no planeta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Governados por cegos e irresponsáveis


Adoro este cara... percebe-se que eu gosto de muitos "caras"... é foda!!! Mas gosto muito de ler coisas bacanas e por isso compartilho com a galera... Hoje estava "trabalhando" e achei este texto no site da Carta maior, achou muito bacana, principalmente, porque ontem estava discutindo o consumismo desenfreado que vivemos. De como as grandes oligarquias controlam nosso comportamento através do discurso do politicamente correto. E o Leonardo Boff, apesar de ser teologo, escreve de uma forma muito bonita e direta... 

Chega de conversa.... segue:
Afunilando as muitas análises feitas acerca do complexo de crises que nos assolam, chegamos a algo que nos parece central e que cabe refletir seriamente. As sociedades, a globalização, o processo produtivo, o sistema econômico-financeiro, os sonhos predominantes e o objeto explícito do desejo das grandes maiorias é: consumir e consumir sem limites. Criou-se uma cultura do consumismo propalada por toda a midia. Há que consumir o último tipo de celular, de tênis, de computador. 66% do PIB norteamericano não vem da produção mas do consumo generalizado. 

As autoridades inglesas se surpreenderam ao constatar que entre os milhares que faziam turbulências nas várias cidades não estavam apenas os habituais estrangeiros em conflito entre si, mas muitos universitários, ingleses desempregados, professores e até recrutas. Era gente enfurecida porque não tinha acesso ao tão propalado consumo. Não questionavam o paradigma do consumo mas as formas de exclusão dele. 

No Reino Unido, depois de M.Thatcher e nos USA depois de R. Reagan, como em geral no mundo, grassa grande desigualdade social. Naquele país, as receitas dos mais ricos cresceram nos últimos anos 273 vezes mais do que as dos pobres, nos informa a Carta Maior de 12/08/2011. 

Então não é de se admirar a decepção dos frustrados face a um “software social” que lhes nega o acesso ao consumo e face aos cortes do orçamento social, na ordem de 70% que os penaliza pesadamente. 70% do centros de lazer para jovens foram simplesmente fechados. 

O alarmante é que nem primeiro ministro David Cameron nem os membros da Câmara dos Comuns se deram ao trabalho de perguntar pelo porquê dos saques nas várias cidades. Responderam com o pior meio: mais violência institucional. O conservador Cameron disse com todas as letras:”vamos prender os suspeitos e publicar seus rostos nos meios de comunicação sem nos importarmos com as fictícias preocupações com os direitos humanos”. Eis uma solução do impiedoso capitalismo neo-liberal: se a ordem que é desigual e injusta, o exige, se anula a democracia e se passa por cima dos direitos humanos. Logo no pais onde nasceram as primeiras declarações dos direitos dos cidadãos.

Se bem reparmos, estamos enredados num círculo vicioso que poderá nos destruir: precisamos produzir para permitir o tal consumo. Sem consumo as empresas vão à falência. Para produzir, elas precisam dos recursos da natureza. Estes estão cada vez mas escassos e já delapidamos a Terra em 30% a mais do que ela pode repor. Se pararmos de extrair, produzir, vender e consumir não há crescimento econômico. Sem crescimento anual os paises entram em recessão, gerando altas taxas de desemprego. Com o desemprego, irrompem o caos social explosivo, depredações e todo tipo de conflitos. Como sair desta armadilha que nos preparamos a nós mesmos?

O contrário do consumo não é o não consumo, mas um novo “software social” na feliz expressão do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima. Quer dizer, urge um novo acordo entre consumo solidário e frugal, acessivel a todos e os limites intransponíveis da natureza. Como fazer? Várias são as sugestões: um “modo sustentável de vida”da Carta da Terra, o “bem viver” das culturas andinas, fundada no equilíbrio homem/Terra, economia solidária, bio-sócio-economia, “capitalismo natural”(expressão infeliz) que tenta integrar os ciclos biológicos na vida econômica e social e outras.

Mas não é sobre isso que falam quando os chefes dos Estados opulentos se reunem. Lá se trata de salvar o sistema que veem dando água por todos os lados. Sabem que a natureza não está mais podendo pagar o alto preço que o modelo consumista cobra. Já está a ponto de pôr em risco a sobrevivência da vida e o futuro das próximas gerações. Somos governados por cegos e irresponsáveis, incapazes de dar-se conta das consequências do sistema econômico-político-cultural que defendem.

É impertivo um novo rumo global, caso quisermos garantir nossa vida e a dos demais seres vivos. A civilização técnico-científica que nos permitiu niveis exacerbados de consumo pode pôr fim a si mesma, destruir a vida e degradar a Terra. Seguramente não é para isso que chegamos até a este ponto no processo de evolução. Urge coragem para mudanças radicais, se ainda alimentamos um pouco de amor a nós mesmos.
Leonardo Boff
Fonte: 
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5165